Há poucos dias, uma jovem se aproximou da banca de artesanato de uma hippie mais do que cinquentona, e ficou observando alguns brincos feitos com penas e arames. A banquinha, que estava numa praça, era bem simples, com uma armação em madeira que se desmonta em uma única peça. Sobre ela, um pano escuro e muita bijuteria de vários formatos e cores.
A hippie usava vestido comprido, de algodão, tingido com corantes diversos. Calçava sandálias de couro já bem gastas. Nos braços, diversas pulseiras; no tornozelo esquerdo, uma corrente de linha. Carregava ainda uns três a quatro cordões de conchas e sementes. Na cabeça, um arco em madeira prendia os cabelos maltratados. Nos dedos, anéis de osso.
A moça, de uns 17 anos, relativamente alta e magra, usava short bege, sapatos de salto alto. Os cabelos eram também compridos, mas bem cuidados, lisos. Estava com óculos escuros, aros grandes. A blusa era estampada, sem manga, e alças com detalhes em rendas. No nariz, ostentava um pircieng pequeno, quase invisível.
As duas tinham tatuagens, várias, por sinal. A hippie tinha uma lua no braço esquerdo; no outro, a imagem de uma índia, e mais uma onde se lia fracamente “make love not war” (faça amor, não faça a guerra).
A jovem, por sua vez, também tinha uma lua no braço esquerdo. No ombro, um sol acima de nuvens e com pássaros, tudo bem colorido, bem acabado.
-Legal menina, esses traços aí. Muito legal também enfrentar os velhos preconceitos e marcar a liberdade na própria pele – disse a hippie para a garota, perguntando logo em seguida.
-Teus pais implicaram muito?
-"Implicaram com o quê”? – perguntou a minina.
-Com as tatuagens, poxa (Não foi bem essa palavra. Mas para a coluna tem de ser ela!) –
respondeu a vendedora de bijuterias.
-Não, de jeito nenhum. Meu pai achou bonito. E minha mãe deu a maior força. Até fez uma antes de mim, para eu ter mais coragem. Ela tem uma libélula linda no ombro. Por que não gostariam? Todas as minhas amigas também têm tatuagem.
-Tua mão faz o quê?
-É empresária... mas você também não tem um monte de tatuagem? – indagou a mocinha.
-Tenho, mas quando fiz a primeira meu pai me expulsou de casa. Me chamou de rebelde, disse um monte de coisa, falou que não ia sustentar vagabunda e me colocou na rua. Aí rodei mundo, me arrumei – respondeu a hippie.
-Mas você era rebelde?
-Claro, meu. Ficar suportando esses valores da burguesia, a prisão do lar, o discurso hipócrita da sociedade, a máquina do imperialismo americano...é pára isso que diz essas tatuagens, contra valor, entendeu? A força da contracultura – respondeu, em ritmo acelerado.
-Força de quê? – perguntou curiosa, a jovenzinha.
-Nada não, maninha, deixa para lá. Gostou dos brincos? São dois por cinco mangos. A mocinha comprou alguns brincos e seguiu seu caminho.
A hippie ficou na praça, sozinha, sentada no seu banquinho. Passou um bom tempo pensativa, lembrando de sua juventude, dos protestos, do rock’n’roll. Finalmente, se levanta e caminhou até uma mulher bem arrumada que estava pela praça.
-Ei, você pode me dar uma indicação? – perguntou ela.
-Indicação de quê, minha senhora?
- Por acaso, você sabe onde eu posso encontrar um desses médicos que tiram tatuagem?
texto extraído do blog Wood: ohomemquesou.blogspot.com
" ... As manhãzinhas eram propícias a caminhada na orla, de preferência em plena cerração, ao som de um mar sereno. Dos automóveis na avenidad só se viam as lanternas acesas, ninguém buzinava, ninguém buzina no invisível. E eu ia a passos cadenciados, com arrancadas esporádicas porque não gostava que emparelhassem comigo. Os caminhantes em sentido contrário ma surgiam, já tinham passado, e com eles palavras soltas, pedaços de palavras. Mais tarde começava a se afinar a bruma, e as montanhas se desanuviando, era a cidade querendo exibir sua pele. Entretanto as pessoas que eu topava por mais que rissem e balançassem os corpos, não me parecim afeitas ao ambiente. Às vezes eu as via como figurantes de um filme que caminhssem pra lá e pra cá, ou pedalassem na ciclovia a mando do diretor..."
Texto extraído do livro Budapeste de Chico Buarque
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
"Sua jornada moldou você para seu bem maior, e foi exatamente o que precisava ser. Não pense que você perdeu tempo. Não existem atalhos para a vida. Foi necessária cada e toda situação que você encontrou para trazê-lo para o agora. E agora é o momento certo."
(Asha Tyson)
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Antes do compromisso Há a hesitação, a oportunidade de recuar, Uma ineficácia permanente. Em todo atos de iniciativa e criação Há uma verdade elementar, Cujo desconhecimento destrói muitas idéias E planos esplêndidos. No momento em que nos comprometemos De fato, a Providência também age. Ocorre toda espécie de coisas para nos ajudar, Coisas que de outro modo nunca ocorreriam. Toda uma cadeia de eventos emana da decisão, Fazendo vir em nosso favor todo tipo De encontros, de incidentes E de apoio material imprevistos, que ninguém Poderia sonhar que surgiram em seu caminho. Sempre que você pode fazer ou sonha que pode, comece. A ousadia traz em si o gênio, o poder e a magia.
Goethe
"Pois é, eu já pensei que minha vida talvez tivesse sido bem mais original e livre se eu pudesse compreender a necessidade de a gente se valer de tudo o que se perde por sobrar, do que a gente faz sem querer, entre o que se quer fazer. Minha vida não teria sido, inclusive, bem mais minha se eu nao tivesse deixado de sentir o desconhecido e de ousar o temido, por covardia, impostura, moralismo, ingenuidade, mediocridade e fé?Sinceramente, suponho que teria sido um poeta, um navegante, um músico ou um amante, se tivesse podido me utilizar das fantasias, dos tesões, das mentiras, dos erros, das loucuras, dos orgasmos, das febres e dos mistérios da noite, além de tudo o que me foi tirado e do que não soube dar. Assim, acabou resultando que estou aqui, mas não sou nada, como um fantasma, um personagem de sonho, porque tive o insano desejo, a pretensão absurda e ridícula de escolher."
Rudolf
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
"E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente" (Rm 12.2)
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
"Na mulher interessante, a beleza é secundária, irrelevante e, mesmo, indesejável. A beleza interessa nos primeiros quinze dias; e morre, em seguida, num insuportável tédio visual. Era preciso que alguém fosse, de mulher em mulher, anunciando: -Ser bonita não interessa. Seja interessante!"
[Nelson Rodrigues]
"Toda zêlo, carinho, delicadeza, sensibilidade. Naturalidade infantil, sem nunca ser grossa. Mistura (bizarra?) de unhas grandes com esmaltes escuros e argolas-bambolê com chapéu xadrez e all star vermelho. Pureza nem tão pura de uma maneira tão sutil! Do tipo que gosta de graça, que se diverte com pouco, que é alegre sempre, com esse sorriso muito fofo no rosto! e que quando é triste, corta o coração. Toda atenção, paciência e ouvidos. Dedicação com tudo e todos (quem mais estuda na primeira semana de faculdade?); Futura professora de história mais fofa do fundamental (óbvio que o futuro reserva turmas de criancinhas! ^^). Reprovação sem sermão - e que machuca muito mais. Toda eu te amo, que fofuuura e docinho. Criatura mais confiável que há, que por passar tanto conforto, ensina a ser igual, ensina a ser melhor".
Por Clarice Goulart.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
"- Ela parece distante... talvez seja porque está pensando em alguém. - Em alguém do quadro? - Não, um garoto com quem cruzou em algum lugar, e sentiu que eram parecidos. - Em outros termos, prefere imaginar uma relação com alguém ausente que criar laços com os que estão presentes. - Ao contrário, talvez tente arrumar a bagunça da vida dos outros. - E ela? E a bagunça na vida dela? Quem vai pôr ordem?"
[Trecho de Le fabuleux destin d'Amélie Poulain]
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Alguma mulher fica o tempo o bastante para saber o que se passa na sua cabeça?
* Não queria te aborrecer. Você não tem esse poder. Não é tão importante para conseguir me aborrecer.
* Leia primeiro pra mim. Depois faremos amor.
* Quanto mais sofro, mais amo.
* O que sentimos não tem importância. O importante é o que fazemos.
**
Frases do filme O LEITOR, de Stephen Daldry,
Alemanha/Estados Unidos, 2008.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
"O amor, se é amor, não se acaba de forma civilizada. Nem no Crato... nem na Suécia.
Se ama de verdade, nem o mais frio dos esquimós consegue escrever o “the end” sem uma quebradeira monstruosa.
Fim de amor sem baixarias é o atestado, com reconhecimento de firma e carimbo do cartório, de que o amor ali não mais estava. " (Xico Sá)
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
"Pensar. Eis um verbo reflexivo." Millôr Fernandes
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Uso a palavra para compor meus silêncios. Não gosto das palavras fatigadas de informar.
Manuel de Barros – Infância
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
"Aquilo que se faz por amor, parece ir sempre além dos limites do bem e do mal." Friedrich Nietzsche
quinta-feira, 25 de junho de 2009
"Quando escrevo, repito o que já vivi antes. E para estas duas vidas, um léxico só não é suficiente. Em outras palavras, gostaria de ser um crocodilo vivendo no rio São Francisco. Gostaria de ser um crocodilo porque amo os grandes rios, pois são profundos como a alma de um homem. Na superfície são muito vivazes e claros, mas nas profundezas são tranqüilos e escuros como o sofrimento dos homens."
Guimarães Rosa
quarta-feira, 25 de março de 2009
Foi Numa tarde formosa de Abril
Me declarei
Você então sorriu
Com ternura e afeição
E na mais pura e sã singeleza
Pus-me a pensar na grandeza
Da gente ter coração
Seus lábios entreabertos
Pediam-me um beijo
Quando eu ia aplacar seu desejo
A realidade surgiu
Acordei
Pois eu estava sonhando
Olhei o calendário
Ele estava marcando
Dia Primeiro de Abril
escrito por Vanessa Dantas
sexta-feira, 13 de março de 2009
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração! Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente! Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE! Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais fortes. Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos. Você pode até me empurrar de um penhasco que vou dizer: - E daí? EU ADORO VOAR!"
Clarice Lispector
Por favor, não me analise Não fique procurando cada ponto fraco meu Se ninguém resiste a uma análise profunda, quanto mais eu! Ciumenta, exigente, insegura, carente toda cheia de marcas que a vida deixou: Veja em cada exigência um grito de carência, um pedido de amor!
Amor, amor é síntese, uma integração de dados: não há que tirar nem pôr. Não me corte em fatias, (ninguém abraça um pedaço), me envolva toda em seus braços E eu serei perfeita, amor!
(Do livro "Bom dia amor!", Mirthes Mathias, Juerp, 1990)
(P.S.: Atenção para o poema em sua versão certa! Tem gente corrigindo a autoria, mas deixando os versos incorretos. Existe uma diferença enorme entre "eu serei perfeita, amor" e "eu serei perfeito amor". A mudança de gênero e a falta da vírgula alteram completamente o sentido.)
Sempre sonhei com o amor, Até desistir de sonhar. Não acreditava que fosse acontecer comigo, poderia ser real para os outros não pra mim. Resolvi deixar de lado esse negócio de amor, amar... Tudo besteira não era pra mim mesmo, fui vivendo e curtindo da maneira que eu sabia, um passeio aqui, uma viagem ali, um encontro acolá. Compromisso nem pensar, nada sério, não vou cair nessa de me apaixonar, estou vacinada. RS Que idiota, quando finalmente resolvi acordar e parar de sonhar. Me apaixonei, estou amando, dá pra acreditar? Estou amando e quero passar o resto da minha vida com o meu amor. Voltei a sonhar, só que com uma diferença enorme: Tudo que eu sempre sonhei finalmente tornou - se realidade. Sou amada, bem cuidada, respeitada, mimada ... E vamos passar o resto de nossas vidas juntos. Nós nos amamos.