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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Sozinha

Daí você desperta e vê que o
sonho era pesadelo

O doce era pimenta
malagueta, dedo de moça

O Príncipe não passa de
um sapo asqueroso

O novo já se fez
velho e desgastado

E tudo não passou
de uma brincadeira

Essa diga-se de passagem
de péssimo gosto

E então como fica o
resto da história

Não tem resto lembra?
voce já acordou faz tempo.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Dez Anos Mais Velha

Horas a fio velando
o desconhecido
acompanhada do
medo e da solidão

Escuro frio
lágrimas de um
chorar angustiado
inválido, desmerecido

Dez anos mais velha
assim sentiu-se
a mulher insone
que esperou

Esperou alguém
que não voltou
chorou por alguém
que não morreu

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Tinha os dedos longos como vara de condão
o sorriso largo lembrava marfim trabalhado
o corpo voluptuoso excitava as mentes de outrem
sua alegria contagiava até os mais depressivos
os cabelos laçavam as fantasias alheias
chamavam-na carinhosamente de bruxa,
seus encantos invadiam pessoas e lugares
sem pedir licença, iluminava a todos,
estrela nata nascera para brilhar e encantar.
Um dia um bruxo nefasto, roubou sua luz
levou com ele seu sorriso, seu brilho, sua alegria
tirou-lhe toda a fantasia, deixou apenas agonia
vivia murcha, embaciada, sombria perdeu o encanto
cessou o canto, fechou-se em prantos, ferida.
Por longos anos viveu sob uma máscara
que não combinava com sua essência
o cerne da sua existência havia sido tirado.
Derradeiramente surge um Merlim com uma
caixinha nas mãos que trouxe para presenteá-la
dentro haviam gotas que brilhavam como estrelas
flutuavam como bolinhas de sabão, foram
acomodando-se uma a uma no corpo dela;
Bruscamente a máscara caiu-lhe da face
um brilho iridescente tomou conta de todo
seu ser, Berta voltou a viver.